Noventa páginas que não saem
A Clarice escreve o desconforto de estar escrevendo. O narrador ser um homem que não sabe o que fazer com a Macabéa é a decisão mais inteligente do livro.
@ju.prado · no Nodt desde May/2026
Leio devagar e resenho pior. Duzentos livros na fila e nenhuma pressa.
A Clarice escreve o desconforto de estar escrevendo. O narrador ser um homem que não sabe o que fazer com a Macabéa é a decisão mais inteligente do livro.
A primeira parte é quase perfeita. A troca de narradora no meio do livro é um risco que dá certo, e o terceiro bloco eu ainda estou digerindo meses depois.
Os gêmeos brasileiros fizeram uma HQ sobre obituários que é, no fim, sobre o oposto. Li em uma sentada e reli no dia seguinte.
Larguei duas vezes antes de conseguir. O truque que funcionou pra mim foi ler em voz alta as primeiras cinquenta páginas — o Rosa escreve para o ouvido, não para o olho.
Capítulos que quase não se ligam, e é essa a forma certa para uma família que também mal se comunica. A Baleia tem o melhor capítulo do livro e isso diz muito sobre o resto.
Não tenha vergonha de desenhar o diagrama dos Buendía. O livro é sobre repetição e a confusão dos nomes é proposital, mas ninguém precisa sofrer sozinho.
O epílogo acadêmico é a parte mais assustadora e quase todo mundo esquece dele. Transformar tragédia em objeto de estudo é a segunda desumanização.
Gatos, poços, jazz e uma adolescente misteriosa. Se você já leu outro dele sabe o que vem, e ainda assim a linha do Nakata é das coisas mais bonitas que ele escreveu.
Os primeiros volumes ainda estão achando o tom e valem menos que o resto. A partir de Estação das Brumas é outro patamar.